"Onde reinam intenções honestas,
mal entendidos podem ser curados
com rapidez e eficácia."

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28 de maio de 2012

Rebostiana e nossos "causos"

Lembram-se dela? Pois é, depois daquele desabafo aqui, Rebostiana, muito prestativa preocupou-se comigo e com os recentes acontecimentos, principalmente àqueles relacionados com a Mansão e veio para cá "ajudar-me" na organização da papelada e principalmente para "aconselhar-me".
Ontem, enquanto tomávamos chimarrão, acreditam que ela trouxe lá de Fiofó do Planalto, a cuia, bomba, erva e a chaleira de ferro porque tem nojo de água na garrafa térmica e desconfia das chaleiras inox.
Esta é uma das malas que ela trouxe. Até a máquina de moer carne (ela desconhece que sou vegetariana), o caldeirão para cozinhar feijão e, estão vendo aqueles três pequenos objetos marrom com uma parte clarinha embaixo? Quem tem mais de trinta anos conhece, são monóculos com uma foto dentro, que geralmente eram tiradas em circos e depois os "fotógrafos" vinham mostrar para a família e é lógico que sempre se comprava. Ainda não vi de quem são as imagens, esperarei ela mostrar.
Monóculos
Voltando ao chimarrão, enquanto a cuia passava das mãos dela para as minhas, iniciou-se o bate-papo.
Falando sobre a irresponsabilidade das pessoas, mencionei um fato ocorrido semana passada num dos maiores e melhores hospitais da América Latina, localizado em Porto Alegre. Uma jovem portadora de enfermidade oftalmológica submeteu-se a uma cirurgia de transplante de córnea. Ao acordar, percebeu que o curativo estava sobre o outro olho, comunicou ao responsável e ele disse "é assim mesmo". Ela pensou, entrei para fazer cirurgia no olho e sairei sem saber o que é direita e esquerda.
Rebostiana serviu um chimarrão e passou a relatar o que aconteceu a ela em um hospital muito famoso, não quis dizer o nome para evitar "represálias".
Pois Lissi (meu apelido quando criança), disse Rebostiana, tu sabes que sou muito despachada e não preciso que alguém fique "me cuidando" quando estou doente. Precisei fazer uma cirurgia (coisa de mulher), meu plano de saúde é muito bom, mas oferece apenas acomodação semi privativa. Internei-me numa quarta-feira à tardinha, com a "operação" marcada para o dia seguinte às dez horas. O tal quarto era muito bom, grande, ar condicionado, televisão, banheiro super equipado. Logo chegaram duas técnicas para aplicarem o tal enema. É uma situação desagradável mas no meu caso o pior foi a exposição a que me submeteram. Minha cama ficava em frente à porta e
embora houvesse uma cortina separando os dois leitos, para proteger a porta NADA.
 Fui feliz porque ninguém abriu e tudo deu certo.
-Que chato isso Rebostiana, por que não pediste para te levarem a uma sala de procedimentos?
-Ah, Lissi, queria que aquilo terminasse logo e como já falei, deu tudo certo.
Depois de alcançar-me mais uma cuia de chimarrão, Rebostiana continuou:
- Sem demora entrou outra técnica com uma bandeja e uma caixa contendo um creme vaginal, com seis aplicadores e disse que eu deveria colocar todo o conteúdo da bisnaga. Fiquei desconfiada, fui até o posto de enfermagem e pedi para ver minha pasta (prontuário, receitas, etc.). Muito a contra gosto deixaram que olhasse. Vi na prescrição que o doutor recomendou uma aplicação de doze em doze horas e questionei ser impossível um tubo inteiro (seis aplicadores) a cada doze horas. A técnica, muito debochada disse: telefona para o médico e pergunta. Eu não, pergunta você que é profissional da área ou pelo menos me responda se é normal o médico receitar esse procedimento. Resumo da ópera, os doze aplicadores foram colocados, em doze horas. Ao questionar o médico no outro dia ele disse que era um aplicador à noite e outro pela manhã. (desgraçada aquela técnica).
Às nove horas, no dia seguinte ao da internação, fui levada para o bloco cirúrgico pois estava marcada a cirurgia para as dez horas.
Meia hora depois, chegou minha "amiga" médica e disse que a cirurgia havia sido transferida para o outro dia às dez horas. Voltei para o quarto e a minha amiga médica ficou comigo. Ficamos conversando, contei o episódio do enema em frente à porta, das duas bisnagas de creme e, principalmente do "piti" que uma funcionária da copa teve quando questionei a refeição que ela trouxe pois eu sabia que haviam autorizado "alimentação sem resíduos" e ela trouxe duas fatias de pão, presunto, queijo e café com leite.
Minha amiga ficou quieta e de repente levantou-se e disse: espera aí que já volto. Voltou com um batalhão de enfermeiras, técnicas, cadeira de rodas, etc. e levaram-me para um quarto privativo. Enfim, tudo deu certo, minha saúde voltou a ser boa e espero nunca mais precisar de hospital.
- Verdade Rebostiana, agora lembrei que comigo também aconteceu algo que poderia ter causado algum problema, justamente na época da tua cirurgia, alguns dias antes. Fui internada para fazer um exame, cujo nome é "histeroscopia diagnóstica" e, minha filha, que é médica, verificou no cronograma dos procedimentos que estava sobre o balcão, na sala pré-cirúrgica e ao lado do meu nome constava "histerectomia". Diferença pouca nas palavras, mas um caso é para diagnosticar e o outro é para retirada do útero. E quem não tem filha ou amiga médica como nós? Asim é que acontecem as cirurgias no membro errado, retiram órgãos trocados, vesícula biliar ao envés de apêndice e agora, cúmulo dos cúmulos, transplantam a córnea no olho errado, desperdiça-se uma doação e a paciente retorna para a fila de espera ou, neste caso retirarão a córnea de quem cometeu o erro e transplantarão para quem de direito?
Frisemos, Rebostiana, nossos casos foram realizados em hospitais de "ponta", imagine o tratamento que recebem do SUS. Tenho algumas informações de que quando o paciente consegue o atendimento pelo SUS aí tudo anda muito bem, o tratamento é igual para todos, particular, convênio ou SUS.
Igual, sim, mas todos corremos os mesmos riscos de recebermos tratamentos equivocados.
Falta responsabilidade, amor e respeito aos pacientes.
 Os centros cirúrgicos parecem linhas de montagem fabris, mas em seres humanos o controle de qualidade não pode simplesmente descartar o que deu errado,
é uma vida que se perde, invalida, ou no mínimo complica.
Por hoje, chega de chimarrão, estou verde!




21 de maio de 2012

Desabafo com Rebostiana

Andei ausente por vários dias, primeiro tratando uma bronco qualquer coisa, que deixou-me sem forças, com dores e sibilante como uma cascavel.
 Depois, descansando na casa da filha e ontem, depois de almoçar e passear por El Paradiso em Morro Reuter,
 retornei à Mansão.
Ao desembarcar do ônibus, passava da meia-noite e aqui nesta cidade esquecida, táxi é artigo raro. Foi necessário quase arrombar a porta do abrigo dos motoristas para que alguém saísse dos braços de Morfeu e atendesse aos meus apelos.
Já na mansão, abri a primeira porta e os latidos das cadelinhas ressoaram para meu deleite... muita falta fazem essas pitoquinhas de quatro patas.
Ao abrir a segunda, iniciou-se o festival de pulos, latidos e lambidas e também a visão do caos pela casa.
Não deixei os animais abandonados, antes tivesse deixado, pois surpresas não teria.
Devo ter morrido de sede no deserto em outras encarnações pois preocupo-me em que os cães e gatos tenham  água em abundância. Pois, pasmem, ontem o deserto era aqui. Nenhuma gota nos potes embora ração transbordasse em todos.
Não me contive, precisava desabafar e naquele horário, a única pessoa que me daria ouvidos certamente seria a Rebostiana. Imediatamente telefonei para ela.
- Oi Rebostiana, sou eu, por acaso te acordei?
- Que nada, disse ela, estou aqui matutando se durmo ou se passeio, bom que ligaste.
- Ai Rebostiana, estou muito chateada, cheguei há pouco do vale do Sinos e encontrei minha casa parecendo um pardieiro
 de quinta classe.
-Ué, mas e a tua funcionária perfeita, fez o quê durante a semana? Trabalhou menos que as duas horas e meia costumeiras? Já falei que és muito frouxa com ela, engoles todos os sapos, aceitas as faltas, te preocupas com os filhos dela e ainda pagas demais, inflacionando o mercado das "empreguetes".
-Sim Rebostiana, mereço puxões de orelha, mas noutra hora tá? Deixe-me contar como estava o banheiro. Acredite, os gatos conseguiram abrir a porta, arrancaram a tampa do vaso sanitário e aquela foi a única água que os pobrezinhos conseguiram tomar durante o final de semana, presumo. 
-E as cachorrinhas como fizeram para tomar água? perguntou Rebostiana.
-Não tomaram, quando vi os potes vazios apressei-me em encher todos. Os focinhos disputaram o precioso líquido
 e a Bina refrescou-se no seu potinho de porcelana.
-E os gatos de cima, e os da Hauskatzen? Estavam bem, nenhum fugiu ou morreu?
-Sim, os de cima e da Hauskatzen além da torneira do banheiro que deixo pingando quando saio, nos potes havia água, em compensação nenhum grão de ração. E, horror dos horrores, as bandejas de areia, transbordando. 
Rebostiana silenciou por instantes e, quando voltou a falar, metralhou fio a fora, deixando meus ouvidos zumbindo e minhas orelhas fervendo:
-Bem feito, não fizeste muito gosto com minha visita, praticamente me enxotaste da mansão. Se eu estivesse aí com certeza os dias de glória da empreguete já teriam chegado ao fim, mas não, ela "foi tão boa pra Lilly".. foi nada, não fez nada mais que a obrigação. Sei muito bem que a Lilly dizia que "ela fazia tudo com muita pressa". Deixe de ser refém dela, tens medo de quê? Dela procurar os "dereito"? Não te preocupes, tens uma amiga advogada que sei, a Gisa, daqui. Ela adora gatinhos e irá te ajudar.
-Está bem Rebostiana, não te alteres, deixe-me contar o que o Mimi, Francisco e Nino fizeram assim que cheguei na cozinha. Subiram na pia e quando abri a torneira, queridos, tomaram aquela água como se fosse o melhor dos espumantes (será que gatos gostam de espumante?) O Francisco ficou tão feliz que molhou todo corpo sob a torneira. 
Ele adora a água caindo sobre sua cabeça. 
 Até a tampa da chaleira o Mimi afastou, procurando água.
Perceberam a gotinha d'água perto do olhinho do Mimi?
Embora com sede, todos estão bem, com exceção da Gorda, filhote da Leona, que desde sexta-feira está indisposta, segundo informações da "cuidadora". Acredito que alguém tenha jogado algo estranho dentro do quintal e ela comeu. Estou fazendo o possível para recuperá-la, mas está complicado.