Na madrugada fria e chuvosa, quando fui deixada no jardim da casa onde hoje moro, jamais imaginei que seria acolhida. Foi numa sexta-feira à noite que me tiraram da mãe, colocaram numa caixa e aqui abandonaram. Fiquei apavorada e comecei miar muito. Eu tinha mais ou menos quatro meses, então meu miado parecia de gato adulto e a Beth, sabendo que os moradores da casa estavam todos dormindo, abriu a janela e fez "schhhh". Sabem o que fiz? Corri para a cerca viva que é bem emaranhada e fiquei escondida. Já era sábado, meio-dia quando ela foi abrir o portão da garagem, criei coragem e miei. Aí ela disse: fique calmo (não sabia que eu sou menina), sou amiga, vou te ajudar, não fuja. Fiz como ela pediu e fiquei quietinha, só miei baixinho pra ser encontrada no meio da folhagem molhada. Fui levada pra dentro, enrolada em uma toalha para então ser examinada. A metade do meu rabo estava mal presa por alguns pelos e ela cortou para eu ficar bem. Não lembro o que aconteceu e como machuquei o meu rabinho.
Enfim, fui acolhida e quase adotada, mas aí quando souberam que meu rabo era aleijado desistiram e continuo aqui até hoje. Então, além de acolhida agora também tenho madrinha, é a Eve daqui.
A gatinha que está comigo é a Kita, ela é muito querida e somos do mesmo tamanho, só sou um pouco mais velha e gorda! Nossa casa é no quarto da sacada e moramos com o Belo e o Lelo.
Não fiquem assustados, foi Beth quem me colocou sobre o muro da sacada. Eu não subo sozinha porque tenho medo de altura, acho que é pela falta da metade do rabinho e também, não é muito alto e é por isso que os parceiros malandros não podem ficar aqui porque eles pulam na árvore e vão passear.
Aqui está meu prato de ração, ele é de porcelana pois não gosto de potes de plástico.
Com licença que agora vou comer um pouquinho. Perceberam como estou redondinha?
Pedi licença para a Minina e estou escrevendo para agradecer o carinho da Eve, amadrinhando minha fofurinha e também para dizer, querida "comadre", que o presente já está na conta.














