Manuel Bandeira poetou:
"E a vida vai tecendo laços quase impossíveis de se romper,
Tudo o que amamos são pedaços vivos do nosso próprio ser."
E eu entendi por que depois de os cães e gatos resgatados do abandono, estarem um tempo comigo, parece impossível a separação.
São os laços tecidos pelo convívio que transformam-se em amor (recíproco) e a dor, também recíproca de apartar-se, lacera muito fundo que fica a pergunta: vale a pena?
Num pequeno balanço que fiz de anos que se passaram, não encontrei razão alguma para separar-me deles. Gosto de cuidá-los, de limpar seus cantinhos, de acariciar, pegar no colo...
Por eles abstenho-me de muitas coisas consideradas normais para uma pessoa na minha idade, saúde e cultura. Sinceramente, do que me abstenho nada faz falta. Atualmente até as viagens internacionais se resumem a quinze dias pouco mais, pouco menos. Então, separar-me definitivamente deles por uma viagem, uma peça de teatro, um reveillon? Ao retornar, recordações não aqueceriam meu coração como a parceria dos animais aquece.
Sim, como poetou Manuel Bandeira, os laços que a vida tece são "quase impossíveis de se romper"(grifei). Com isso entendo, em relação aos gatos e cães que comigo estão, ser possível doar alguns, mas para que a dor da separação não lacere a alma, os adotantes necessariamente deverão tecer "laços quase impossíveis de se romper", com os adotados.
