Os protagonistas do banho de hoje são dois heróis, sobreviventes, principalmente ela, Fi, de vários partos e sofrimento em canil imundo, tanto que veio para cá com o destino traçado, morrer em até uma semana. Ela habitava num lugar sem piso, terra bruta, junto com vários outros cães, quando chovia o lodo tinha centímetros de altura. Quando a resgatei, ela já idosa, estava pele, osso e sarna. Hoje, depois de muitas semanas, meses e nove anos que está comigo, contrariando todos os prognósticos, inclusive os mais otimistas, continua com saúde perfeita, mas com um medo muito grande de água e trovões.
Pícolo, resgatado noutro abrigo, sobrevivente de um incêndio no abrigo onde morava, era o pequeno grande garanhão daquele canil. Ele teve um pouco mais de sorte e vivia dentro da casa da proprietária, hoje moradora de um asilo, longe dos animais o que deve ser um grande sofrimento para ela.
É possível não amar essas coisicas pequeninas, velhinhas, desdentadas, bafentas, demarcadoras de território e que deixam a casa com um perfume que espanta a maioria dos humanos?