Sou elurófila (gateira) desde que nasci, mas como tenho coração mole aprendi gostar de cães. Gatos em minha casa sempre houveram. Ganhei uma cadelinha, quando fiz quinze anos, a Bolinha que viveu 18 anos. Quando Bolinha morreu ficamos um período sem cachorro até que um dia bateram à porta, atendi e era um moleque com uma cadelinha na mão pretendendo vendê-la. Na época passávamos uma fase muito penosa financeiramente e não podia dar-me ao luxo de comprar uma guaipeca. Mas, o moleque disse que se não comprasse a jogaria na sanga. Lógico que tirei o equivalente a dez reais hoje do parco orçamento e "comprei" a Funfa que não viveu muitos anos, era doentinha e nós não podíamos pagar veterinário. Voltei amolecer o coração quanto à cães no ano 2000 quando herdei uma cadela e seu filhote de uma ex namorada do filho.
De lá para cá já cheguei a abrigar 12 cães e mais de 30 gatos juntos. Com o tempo e tratamento psiquiátrico descobri que não era coração mole meu caso e sim uma forte depressão.
Saliento que sempre tive fêmeas e como o quintal é bem fechado e o dinheiro curto, não as castrei e também não vacinei.
Quando no início de novembro viajei em busca de saúde, deixei a Leona no cio, confiando na segurança do quintal. Mas, como não se deve subestimar a inteligência canina e à noite elas ficavam sós, um cachorro conseguiu entortar o portão de ferro que dá para o quintal e teve sucesso para entrar.
O resultado está aí.
Isso aconteceu na noite do dia sete de novembro e no outro dia Ana contou-me por telefone que haviam "jogado" um cachorro para dentro do quintal pela cerca lateral da casa que têm mais de dois metros de altura. Perguntei se era macho ou fêmea e ela disse que não sabia, deixei prá lá e percebi que ele apenas escondeu-se na lateral com cerca alta, depois do ato consumado.
No Natal meu filho observando a Leona comentou que ela parecia "grávida" e também achei estranha sua barriga, mas como a Ana para suprir minha ausência dava pães e bolos para as cadelas da casa, pensei que pudesse ser apenas gordura.
Semana passada, na madrugada do dia quatro, escutei Leona batendo na porta do quartinho onde ela e a TitaCP dormem mas não levantei, apenas mandei que ficasse quieta. Quando levantei, ela não saiu da caminha (uma gaveta) e aí tive certeza que algo havia acontecido. O acontecimento são essas quatro coisinhas lindas que serão doadas assim que atingirem a idade apropriada.
Leona está se mostrando uma mãe muito dedicada e certamente os filhotes crescerão saudáveis e encontrarão um bom lar.
Acho que já comentei que Leona era do meu falecido irmão que a acolheu na rádio onde trabalhava e quando ele ficou doente a acolhi com cinco filhotes há seis anos.
Um recadinho, além de não subestimar a inteligência dos cães, a saúde psíquica de acolhedores deve ser muito bem avaliada quando resolvem acolher animais sem ter condições financeiras para tal. Quem sustenta os cães e gatos aqui abrigados são meus filhos que não são ricos e trabalham muito para poderem prover as necessidades do produto do meu coração mole/depressão.