Depois de percorrer o mundo todo, alguns continentes mais de uma vez, seu desejo era visitar o lugar onde nasceu.
Fui escolhida para participar do passeio
que há muito eu pretendia fazer.
Primas de gerações diferentes mas com interesses
e gostos muito semelhantes.
Ônibus foi o meio de transporte utilizado para nos levar até Engler, um pequeno vilarejo, distante setenta quilômetros de Carazinho.
Após a primeira curva da estradinha de chão batido,
a intuição da prima
nos levou a encontrar o "homem do mel e das rosas"*. Sim, ele existe, tem nome e família e um coração amável,
raro encontrar nos dias de hoje.
Pensávamos rever os lugares, presos na memória da prima, caminhando, mas não imaginávamos que as distâncias entre uns e outros fossem tão grandes.
Pois, o "homem do mel e das rosas"* dispôs-se a interromper a coleta de mel e a poda das roseiras por algumas horas e se fez cicerone das descendentes da família, ela filha do menino que estava na barriga da mãe e eu neta do menino
em pé entre pai e mãe.
Do acampamento, em poucos anos a casa foi erguida com muito amor, onde os filhos cresceram, casaram, os netos chegaram e todos, parentes e amigos sempre foram recebidos com muito carinho e fraternidade.
O casal, Herman e Elisabeth estiveram casados
por quase cinquenta anos,
quando ela, em 1947 faleceu.
Ele, viveu ainda sete anos e em 1954 partiu para encontrar a mãe de seus filhos no plano espiritual.
Seus restos mortais estão guardados lado a lado, no cemitério cujas terras pertenciam à família e dista apenas mais ou menos quinhentos metros da antiga morada.
Mas, deixo meus bisavós descansarem, passeando no plano etéreo e retorno ao presente, até o terreno onde a laranjeira, plantada pelos pais da prima, mantém-se imponente e repleta de frutos, embora a casa onde ela nasceu já não exista.
Aqui, a prima abrindo a porta da igrejinha onde foi batizada e confirmada na fé Evangélica Luterana, no final dos anos 1940,
como comprova a placa com o ano da inauguração.
Impressionou-me ver as árvores de camélias, plantadas pela minha bisavó materna ontem, em pleno outono nos brindando com lindos botões semi abertos.
As palmeiras, também plantadas pela família permanecem imponentes no pequeno oásis sobre a coxilha, já sem a casa, rodeado por lavouras de soja, não mostradas aqui por não fazerem parte da nossa história familiar.
* "homem do mel e das rosas" - seu nome é Wilson e mesmo nós sendo duas desconhecidas, apenas nos apresentando como descendentes dos Genehr, foi de uma gentileza ímpar e não fosse sua disposição em ajudar, nosso passeio seria frustrante pois de onde desembarcamos do ônibus até o cemitério, seria muito difícil fazer a pé e retornar no mesmo e único ônibus que ali nos deixou, duas horas antes.