Vários gatos amarelos por aqui passaram ao longo dos anos. Todos morreram tragicamente.
Um pulou dentro do canil da casa vizinha e foi morto por um cão feroz.
Outro, o Félix, gato lindo, pelos longos, amigo, carinhoso, recebeu de presente um petisco recheado com tubo de cola instantânea (constatação da veterinária). Passou uns três dias embaixo do porão aqui de casa, em local inacessível, apenas murmurando. Consegui, através de muita conversa, fazer com que saísse e aí pude ver a crueldade. Ficou ainda alguns dias internado, deve ter servido como cobaia para a veterinária, porque não tinha o que fazer, estava com o palato todo destruído.
Bóris, outro amarelo amado, conversava, dormia na cama com meu filho, foi envenenado.
Tilli não cresceu para entrar nas estatísticas, morreu criança.
Dentre os três amarelos residentes na Hauskatzen, o Lelo Boêmio está desaparecido há mais de 48 horas. Temo que tenha encontrado o fim da sua vida.
Passava os dias dormindo
não perturbava ninguém
era castrado
mas a boemia, no caso o instinto caçador
o fazia ultrapassar barreiras que os outros respeitam,
saía ao anoitecer e retornava manhãzinha.
Enquanto sofro com o desaparecimento de Lelo Boêmio, um certo padre cantor sobe ao palco, usando em vão o nome do Deus que ele venera, para encantar quem se encanta com o sofrimento dos animais num famoso rodeio.
Fazem alguns dias, na ACAPA (Associação carazinhense de proteção aos animais) deixaram um cão que padeceu muitos dias com o pescoço apertado numa coleira. O mau trato foi efetuado numa vila miserável, ponto de tráfico de drogas.
Já minha casa, onde convivo com os gatos e cães está localizada num bairro de classe média alta e presume-se que o nível cultural supera o dos moradores da vila, onde o cão foi encontrado. Mas, mesmo assim, gatos continuam sendo vítimas de pessoas intolerantes.
Enquanto não houver nos corações
AMOR, TOLERÂNCIA E RESPEITO,
animais continuarão sendo vítimas de humanos imbecis.

