"Onde reinam intenções honestas,
mal entendidos podem ser curados
com rapidez e eficácia."

9 de setembro de 2013

Gatos eram felizes em liberdade

Como eram felizes os gatos da minha juventude.
Comiam a mesma comida que nós, tinham liberdade de ir e vir, namoravam, tinham filhotes, que eram doados para parentes e amigos ou levados para alguma granja.
Eram os senhores dos telhados e muros, mas também gostavam de carinho e colo, ronronavam e sabiam a hora de se aconchegar em segurança.
 Veterinários não haviam na cidade, gatos morriam de velhos, de "doenças de gatos" e quando alguém castrava um macho sabem como era? O gato era colocado de cabeça para baixo numa bota de cano longo e as "bolinhas" eram cortadas com navalha e sobre a pele colocado algum emplastro que o gato logo lambia e nunca ouvi falar de infecção.
 Estou sendo dura e talvez até grosseira com minhas palavras mas explico por que.
De que adianta acolhermos gatos abandonados, confinarmos em ambientes que não são naturais para felinos, alimentarmos com ração, não importa se de boa ou má qualidade, experimente você passar a vida comendo aquela mesma porção, naquele mesmo horário, com aquele mesmo sabor. 
Tenho comigo vinte gatos adultos para adoção, mas nenhum será adotado porque eles não deixam ninguém chegar perto, estão acostumados com suas vidinhas medíocres. Carinho recebem muito pouco, pois além deles tenho mais dez gatos e doze cachorros que convivem um pouco mais comigo, mas ainda longe do ideal de vida para um animal que deveria estar caçando passarinhos, borboletas, brincando com folhinhas... 
Quando me vi com mais gatos do que qualquer pessoa em sã consciência deveria ter, pensei, vou providenciar as castrações e deixá-los livres. Terão para onde retornar, a ração estará à disposição, não procriarão mas terão uma vida razoável.
Não os libertei, mesmo depois de castrados porque sujam calçadas, soltam pelos, marcam território, enfim, incomodam àqueles que qualquer  ser vivo que não rodeie seus umbigos é considerado um estorvo.
Parece que estou pedindo socorro, não acham? Pois estou, não para que meus leitores venham aqui adotar os gatos pois sei que é impossível, mas ajudem-me a pensar, quem está errada, a pessoa que acolhe, castra, se desgasta, gasta ou quem se preocupa com marcas de patinhas na calçada?
Pois é, o que era para ser uma homenagem ao Chuvisco que hoje foi em busca da liberdade no Gatil Eterno, tornou-se um desabafo.

8 comentários:

  1. Entendo tua dor e tua revolta, mas acho que estás pensando com cabeça de humana. Se pensares bem, nosso carinho é um acréscimo e não absoluto para eles. Gatos ferais que vivem em colônia não precisam de afofos, precisam de água, comida e abrigo e, se der, nosso cuidado com a saúde deles e castração. Só de pensar na castração à antiga já prefiro a restrição da "liberdade" atual. Dor é dor. Maltrato é maltrato seja em 2013 ou no século passado. Objetivamente prefiro que gatos tenham uma área menor para percorrer, mas mais seguros, pois todo ser senciente sente dor e teme a morte, mas a maioria não precisa das mesmas coisas que oferecemos ou achamos imprescindíveis. Sofre pelo Chuvisco, amiga, mas não entra no fosso. Bjs

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    1. Comadre, tu conheces o espaço deles, parece não ser dos piores, mas quando alguma coisa assim acontece parece que preciso abrir o portão para que possam andar pela grama, subir na amoreira, viver... Sinto que os gatos de baixo são mais na deles, nem tentam sair, a não ser a Griselda para ir atrás das graminhas. Mas aí colho e ela come e não insiste em fugir.
      Preciso colocar ordem nos meus horários e ficar com os de cima um pouco mais e não só na hora de dar ração e limpar as caixinhas. O Chuvisco era um dos que mais andava atrás de mim, miava, ronronava... mas sete anos viveu comigo.

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  2. Que pena que Chuvisco se foi...
    Mas tens razão...Antes era tudo mais natural, normal. As comidas, as passeadas...Tive mais que 9 gatos em casa e eles saiam pra namorar. Era aquela "miaçama" toda e nada acontecia. Ninguém morreu de aguentar os barulhos.

    Hoje é tudo mais complicado! Mas, as coisas todas mudaram. beijos,linda semana,chica

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    1. Sabes Chica, tenho certeza se os gatos que estão confinados no andar de cima da casa saíssem para dar voltinhas, não iriam perturbar ninguém pois são todos castrados. O problema são as "calçadas" com marcas de patinhas...

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  3. Que tristeza, o Chuvisco era um lindo frajola! Eu não sei ao certo o que é melhor para os gatos, na minha infância tive uma gatinha que vivia livremente mas sem sair do entorno da casa, apenas quando estava no cio sumia por alguns dias, mesmo assim ela nunca comeu ração e nunca foi ao veterinário mas também nunca exigiu muita atenção ou carinho. A Pink é o oposto, ama ração e não quer sair de casa, quando vai até o jardim é sempre com muito medo e vai apenas pra comer um matinho. A Rutha adorava curtir a natureza e também curtir a casa e a família.
    Eu acho que os gatos modernos querem viver perto de seus donos, com carinho e raçãozinha!
    Não perca a fé na humanidade, um dia todos vão respeitar a vida!
    Beijos
    Laís

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    1. Então Laís, acho que estava muito emocionada quando escrevi e não passei exatamente o que penso. Quando se tem dois ou três gatos, é fácil controlar suas saidinhas ao quintal, pode-se ficar junto, mas com trinta (vinte e nove agora) eles terminam vivendo somente entre gatos, recebem pouquíssimo carinho humano tornando-se assim algo entre legítimos gatos e bichinhos de estimação, não sendo nenhum dos dois.

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  4. Que pena que ele se foi,mas ele está em um lugar melhor agora,e esse texto tá perfeito!

    http://soltandooosbichos.blogspot.com.br/

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  5. Puxa, lamento muito pelo Chuvisco!

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